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quinta-feira, junho 02, 2011

Endemias e Epidemias


Relação Doença X População

O estudo e entendimento da relação de uma doença com uma população é essencial para poder tomar-se condutas no objetivo de diminuir os danos desta doença na população, não só no presente mas tbém no futuro.

Uma doença pode estar presente em uma população das seguintes formas:
- não estar presente
- presente em casos esporádicos
- presente em níveis habituais
- presente em níveis acima dos habituais

Conceitos

Hipócrates em um trabalho clássico denominado “Dos Ares, Águas e Lugares”, buscou apresentar explicações, com fundamento no racional e não no sobrenatural, a respeito da ocorrência de doenças na população. Para tanto fez o uso dos termos:
- endemeion: no sentido de “habitar” o lugar, nele se instalando por longo tempo
- epidemeion: no sentido de “visitar”, salientando o caráter de temporalidade, de provisório


Endemia

Entende-se por endemia de um determinado agravo à saúde a situação na qual sua freqüência e distribuição, em agrupamentos humanos distribuídos em espaços delimitados, mantenham padrões regulares de variações num determinado período, ou seja, as oscilações na ocorrência das doenças correspondem somente às flutuações cíclicas e sazonais.

Epidemia

Nos momentos em que essas variações aumentam de forma irregular, temos uma epidemia, que pode ser definida como: a ocorrência de um claro excesso de casos de uma doença ou síndrome clínica em relação ao esperado, para uma determinada área ou grupo específico de pessoas, num particular período de tempo


Endemia X Epidemia

As epidemias podem ser conseqüência de exposição a agentes infecciosos (em indivíduos susceptíveis), substâncias tóxicas, à carência de determinado(s) nutriente(s) e até a “situações de risco”

Podem evoluir por períodos que variam de dias, semanas, meses ou anos, não implicando, obrigatoriamente, a ocorrência de grande número de casos, mas um claro excesso de casos quando comparada à freqüência habitual de uma doença em uma localidade. (Ex malária)

Mas como saber qual a freqüência habitual? (ou Endêmica)

Sazonalidade

O perfil dos agravos à saúde numa população pode ser constante durante o ano, mas pode também apresentar marcadas oscilações de freqüências durante o ano, o que denomina-se variações sazonais
Várias doenças infecciosas possuem sazonalidade em relação a estações do ano (p. ex. épocas de chuva)
Outros agravos podem apresentar sazonalidade em relação a outros fatores como períodos de festas, feriados, períodos de colheitas agrícolas.
Então, para se ter a variação habitual de um agravo deve-se construir seu Diagrama de Controle.

Séries Históricas

Para a identificação precisa de um diagrama de controle pressupõe a disponibilidade, em tempo oportuno, de séries históricas rigorosamente atualizadas e, portanto, a existência de sistemas específicos de vigilância.
É também importante, para garantir a comparabilidade dos dados de uma série histórica, que a definição de caso, assim como as técnicas laboratoriais utilizadas para o diagnóstico da doença em questão, não tenham variado no tempo.


Diagrama de Controle

Gráfico que informa a variação habitual de uma doença ou agravo, apresentando a sua distribuição de freqüências durante os meses (ou semanas) do ano, e de vários anos em seqüência.
Para construção do diagrama é necessário os dados de freqüência da doença por vários anos, não podendo computar os anos em que houve epidemia

Diagrama de Controle

é composto graficamente por três linhas:
Limite superior do canal endêmico
Limite Inferior do canal endêmico
Valor Central (índice endêmico)

Como Construir

Deve ter-se previamente uma série histórica sem anos epidêmicos
Para cada mês determina-se o valor central, o limite superior e inferior
Para tanto pode-se usar a mediana e freqüências inframáximas e supramínimas
ou pode-se usar a média e desvio padrão

Mediana, InfraMax e SupraMin

Pega-se a série histórica do mês que se vai calcular: JANEIRO


Ordena-se de modo decrescente:
11, 10, 9, 8, 7, “6”, 6, 5, 5, 4, 2
O índice endêmico será a mediana (está entre aspas) : 6
O limite superior será o valor inframáximo da série (o valor imediatamente abaixo do máximo) : 10
O limite inferior será o valor supramínimo da série (o valor imediatamente acima do mínimo) : 4
O uso deste valores inframax e supramin é para descartar possíveis valores extremos discrepantes (p.ex. no caso de inclusão de um ano epidêmico na série histórica)

Média e Desvio Padrão

Neste tipo de construção a Média das incidências da série histórica é utilizada como índice epidêmico (parâm. central)

Média = 11+10+9+8+7+6+6+5+5+4+2 = 73/11 = 6,6

Para determinar o Limite Superior e Inferior soma-se e subtrai-se da média dois desvios-padrão calculados previamente na série histórica

Lim. Sup = Média + 2 DP = 6,6 + 2 x 2,6 = 11,8
Lim. Inf. = Média – 2 DP = 6,6 – 2 x 2,6 = 1,4

Este método tem a desvantagem p/ dados muito dispersos que tenham valores anormalmente muito altos ou baixos, que alteram poderosamente a média e desvio-padrão

Identificando Epidemias

Tendo-se o diagrama de controle de um agravo em relação a uma população torna-se possível identificar uma epidemia no momento em que a incidência da doença ultrapassa o limite superior da faixa endêmica convencionada (tbém denominado de Limiar Epidêmico)

Tipos de Epidemias

Epidemia Explosiva (ou por fonte comum):
Há um aumento expressivo no número de casos, em um curto período de tempo, sendo compatível com o período de incubação da doença. A fonte é única (ex. intox. alimentar, por água)
Epidemia Progressiva (ou de contato):
Ocorre um aumento gradativo de casos, mas a fonte de infecção não é única, sendo representadas por exposições sucessivas e em cadeia
Mista: p.ex. febre tifóide (Salmonella typhi)

Pandemia

É a ocorrência epidêmica caracterizada por uma larga distribuição espacial, atingindo várias nações, podendo passar de um continente a outro.
Trata-se de um processo de massa limitado no tempo mas ilimitado no espaço.
Ex. Sétima pandemia de cólera:

Celebres (Austrália-1961)India(1964)  Oriente Médio (1965)Africa (1970) Europa (1970) EUA (1991) América Latina (1991)


Surto Epidêmico

Ou simplesmente surto, é uma ocorrência epidêmica restrita a um espaço extremamente delimitado: colégio, quartel, edifício, bairro, etc.
Ex.: “Maria Tifosa” (cozinheira portadora de salmonella typhi, EUA)

Vigilância Epidemiológica

A descrição do comportamento das endemias e elaboração de seus diagramas de controle são funções de grande importância da vigilância epidemiológica, sendo necessário para isso a efetiva notificação, por parte dos profissionais de saúde, dos casos (confirmados ou suspeitos) de agravos passíveis de surtos ou epidemias

Ao identificar precocemente uma epidemia (ou uma suspeita) torna-se possível diminuir os danos da doença na população através de várias medidas de controle (isolamento, quarentena, atenção aos contactantes) e profilaxia (quimioprofilaxia), além de medidas de prevenção de novas epidemias (vacinação, melhorias sanitárias, controle de vetores, campanhas educacionais, etc)

Bibliografia:
Epidemiologia – Teoria e Prática de Maurício Gomes Pereira

Epidemiologia e Saúde de Maria Zélia Rouquayrol

Joilsom Saraiva

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